20/11/2020 08h32 - Atualizado em 20/11/2020 08h35

Mais da metade das cidades de SC terão prefeitos de partidos distintos dos atuais

Numa eleição marcada por menos desejo de renovação, em 154 cidades de Santa Catarina os eleitos pertencem a partidos distintos dos atuais prefeitos, com alguns nomes já conhecidos

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Chapecó é a maior cidade onde outra sigla comandará a prefeitura em 2021, com a vitória de João Rodrigues (PSD). Apesar da troca feita pelos eleitores, ele não é novato na cadeira de prefeito (Foto: Reprodução/Facebook)

Chapecó é a maior cidade onde outra sigla comandará a prefeitura em 2021, com a vitória de João Rodrigues (PSD). Apesar da troca feita pelos eleitores, ele não é novato na cadeira de prefeito (Foto: Reprodução/Facebook)

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Em 1º de janeiro, quando os prefeitos eleitos tomarem posse, a transmissão de cargo também marcará a alternância de partidos no poder em 154 prefeituras (veja detalhes por cidade nos mapas abaixo com as mudanças e a nova configuração dos partidos). O movimento observado nas eleições municipais 2020 representa 53% das 291 cidades que definiram o novo mandatário para os próximos quatro anos. Mas não quer dizer que necessariamente novatos ocuparão a cadeira de prefeito. 

 

Em 137 municípios, no entanto, as prefeituras serão comandadas pelo mesmo partido dos atuais mandatários, conforme levantamento do Diário Catarinense. Nessas, o resultado das urnas atenua qualquer onda de mudança ou de nomes desconhecidos – a exemplo do que chacoalhou a política brasileira em 2018 e em 2016, quando o Estado teve o menor índice de reeleições da história –, sinalizando que o eleitorado catarinense optou por siglas tradicionais.

 

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Nas demais quatro prefeituras do Estado, o posto ainda está indefinido. Em Joinville e em Blumenau, o novo prefeito só será conhecido em 29 de novembro, após a disputa do segundo turno. Em Anita Garibaldi, na Serra Catarinense, e em Petrolândia, no Vale do Itajaí, os mais votados aguardam julgamento, pois tiveram os votos anulados pela Justiça Eleitoral e só concorreram porque obtiveram recurso após terem as candidaturas indeferidas.

 

Em 32 cidades do interior as trocas lembram as tradicionais disputas entre o MDB e a Arena no passado, com representantes do PP se alternando com membros do Movimento Democrático Brasileiro no comando das prefeituras.

 

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Troca de siglas não significa alteração de rota

Proporcionalmente, as regiões que observaram mais trocas de partidos no comando das prefeituras foram o Sul do Estado, o Oeste, a Grande Florianópolis e a Serra, onde mais da metade dos municípios elegeram candidatos de siglas distintas às dos atuais mandatários. A maior cidade onde ocorreu a troca de siglas foi Chapecó, com a vitória de João Rodrigues (PSD) no último domingo. 

 

Ele será o sucessor de Luciano Buligon, eleito pelo PSB em 2016 e que agora integra os quadros do PSL. Mas Rodrigues não será um novato na cadeira de prefeito, já havia passado entre 2005 e 2011, quando se elegeu pelo PFL e se reelegeu pelo DEM, conseguindo fazer o sucessor em 2012, José Claudio Caramori, já pelo recém-criado PSD, que teria como vice justamente Buligon.

 

A região onde a troca de siglas entre o atual prefeito e o futuro foi menos frequente é o Vale do Itajaí: só 39% das cidades vivenciaram o fenômeno.

 

Alianças atenuam mudanças

 

Mesmo nos 154 municípios de Santa Catarina onde os eleitos pertencem a partidos distintos dos atuais chefes do Executivo, a mudança não foi tão drástica. Isso porque em 26 deles, a sigla do atual prefeito compõe a coligação vencedora e pode participar do novo governo com cargos ou influência em troca do apoio na campanha. 

 

Essa possibilidade criou até situações inusitadas em Praia Grande, no Sul do Estado, Salto Veloso e Pinheiro Preto, no Oeste, cidades nas quais o PP costurou uma improvável aliança com PT e PSL, principais antagônicos da política nacional atualmente, e venceu as eleições.

 

Nas eleições deste ano, especialmente nas menores cidades, as coligações mantiveram importância na tentativa de compor chapas competitivas, apesar de mudanças que ocorreram após a reforma eleitoral de 2017. 

 

Este foi o primeiro pleito municipal em que vigorou o fim das coligações partidárias na disputa de cargos proporcionais, para vereadores, ou seja, os partidos puderam selar alianças para apoiar um único concorrente a prefeito, mas os candidatos a vereador não mais se beneficiaram dos votos recebidos pela coligação para conquistar cadeiras por meio do quociente eleitoral. 

 

Esperava-se com isso que houvesse menos alianças. Ainda assim, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, 260 prefeitos de Santa Catarina se elegeram apoiados por coligações.


 POR: CRISTIAN EDELWEISS / DIÁRIO CATARINENSE – NSC


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