23/01/2021 11h46 - Atualizado em 23/01/2021 11h54

Enxurrada que assolou Mirim Doce completa 10 anos

Na época, dos pouco mais de 2,5 mil habitantes da cidade, mais de mil chegaram a ficar fora de casa devido aos temporais

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Passados pouco mais de um mês da tragédia que tirou a vida de 21 pessoas no Alto Vale, outro evento da natureza que trouxe muita tristeza à região completou 10 anos ontem (22). A enxurrada de 22 janeiro de 2011 atingiu diretamente a cidade de Mirim Doce e fez com que a cidade decretasse situação de emergência. Na época, 34 dos 40 estabelecimentos comerciais tiveram perda total. O prejuízo ao comércio passou de R$ 6,6 milhões.

 

A agricultura foi o setor que mais sentiu o impacto das cheias. A lama que atingiu as lavouras de arroz, principal produto da economia da cidade, provocou a perda de mais de 500 hectares de arrozais, metade do total das terras cultiváveis da cidade em 2011.

 

A infraestrutura de Mirim Doce ficou comprometida. Conforme o Formulário de Avaliação de Danos da Defesa Civil do Estado, as perdas alcançaram R$ 13 milhões.

 

As pontes de Volta Grande, Pinhalzinho e Paleta ficaram comprometidas e a Estrada da Serra Velha precisou ser reconstruída pela Defesa Civil.

 

24 famílias viviam em área de risco de deslizamento de encostas. Dos pouco mais de 2,5 mil habitantes de Mirim Doce, mais de mil chegaram a ficar fora de casa devido aos temporais, segundo relatou a Defesa Civil.

 

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Mortes evitadas

 

Apesar de ser a única cidade em Santa Catarina a decretar estado de calamidade pública na ocasião, já que teve a totalidade de seus moradores afetados, Mirim Doce não registrou nenhum óbito. “Só conseguimos evitar mortes porque moradores da Serra Velha, que foram os primeiros afetados pela chuva, desceram até o centro da cidade para avisar dos possíveis danos”, disse o então assessor jurídico da Câmara dos Vereadores da cidade e voluntário na Defesa Civil Municipal, Hugo Lembeck.

 

Durante a madrugada, quando a chuva chegou às demais localidades de Mirim Doce, carros da polícia anunciavam, com as sirenes ligadas, para que os moradores deixassem suas casas e fossem ao local mais alto possível.

 

“Depois disso tivemos muitos resgates a fazer, mas graças a Deus só tivemos danos materiais”, afirmou a então prefeita Maria Luiza Kestring Liebsch.

 

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Informal, alerta evitou tragédia

 

Era 23h45 de sexta-feira, 21 de janeiro de 2011. O empresário Orli Adriano ligou para a então prefeita de Mirim Doce para avisar que uma chuva sem precedentes caía sobre sua casa no alto da Serra Velha, a 40 km da área urbana, e que deveria encher em poucas horas o normalmente calmo Rio Taió, que corta a cidade.

 

Durante a madrugada, foi disparado um sistema de alerta baseado em telefonemas, boca a boca entre vizinhos e o único policial militar da cidade circulando com um megafone aos gritos de “salvem suas vidas”.

 

Por volta das 6h do sábado, com a população acordada, a correnteza do rio invadiu a cidade, levou casas e carros e deixou tudo debaixo de até dois metros de água. Ninguém morreu nem ficou gravemente ferido.

 

O alerta do empresário acabou salvando a vida de muitas pessoas.

 

Em todo o estado, as chuvas de janeiro de 2011 deixaram 95 cidades em situação de emergência, segundo a Defesa Civil Estadual. A chuva causou a morte de seis pessoas em Santa Catarina e deixou 162 feridos.

 


FONTES: RÁDIO EDUCADORA 90,3 FM / G1 SC / JORNAL DE SANTA CATARINA – NSC / JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO

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