02/06/2020 10h08

Grande Prêmio da Bélgica – 1992 – A história de Ayrton Senna

O fim de semana na Bélgica foi bastante agitado

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A Fórmula 1 chegava na Bélgica já com o campeão da temporada de 1992 definido. Com uma Williams infinitamente superior, Nigel Mansell deu poucas chances para os adversários naquele ano, mas viu Ayrton Senna vencer a corrida em que havia sacramentado o título, na Hungria, duas semanas antes da prova belga.

 

Na semana anterior da corrida em Spa-Francorchamps, Ayrton Senna teve um longo encontro com Niki Lauda para acertar a sua ida para a Ferrari. Não deu certo.

 

“Lauda abriu o jogo ao lamentar que não poderia me prometer um carro vitorioso em 1993. Garantiu que eu seria um Deus na equipe, mas o programa para ganhar o campeonato estava previsto para 1994”
 

O piloto desistiu assim de correr pela escuderia italiana.

 

O fim de semana na Bélgica foi bastante agitado. Nos treinos livres, um acidente envolvendo o francês Éric Comas acabou sendo tão memorável quanto a própria corrida no domingo. O piloto da Ligier bateu forte na curva Blanchimont, em um dos vários trechos de alta velocidade do circuito. O motor do carro permaneceu ligado, enquanto o piloto estava inconsciente após a batida com a barreira de pneus. Ayrton Senna parou a sua McLaren, correu em disparada até a Ligier, e desligou o motor do carro, salvando a vida do colega de profissão, que em seguida foi atendido pela equipe de resgate.

 

No treino classificatório de sábado, Ayrton conseguiu fazer o segundo melhor tempo, ficando logo atrás de Nigel Mansell na primeira fila. A segunda fila tinha Michael Schumacher da Benetton e Riccardo Patrese, companheiro do britânico na Williams.

 

Recordista de vitórias do GP da Bélgica na época, Senna vinha de quatro vitórias consecutivas em Spa-Francorchamps: 1988, 1989, 1990 e 1991. Apesar de largar na primeira fila, ele sabia que não tinha como competir com a Williams em condições normais em uma pista extremamente veloz.
No seletivo circuito belga, que ele tanto gostava, Ayrton liderou com pneus de pista seca e de chuva. Começou a corrida assumindo a ponta quando a pista ainda estava seca, logo após a primeira curva. Depois, foi superado por Mansell e por Patrese, que fizeram a troca para os pneus de chuva, deixando o brasileiro novamente na frente.

 

A equipe McLaren, sabendo que somente poderia sair vencedora com uma tática diferente da equipe rival, apostou na estratégia de deixar Senna na pista. Os planos somente dariam certo se a chuva parasse rapidamente, o que não aconteceu. Com o erro na programação do pit stop, Ayrton perdeu muito tempo para os rivais, que já haviam feito a parada e viraram bem mais rápido que ele na pista.

 

Na 14ª volta, quando finalmente a McLaren chama Ayrton para os boxes, a corrida já se mostrava totalmente comprometida. O brasileiro saiu do pit em 14º e precisou dar mais um show de recuperação na pista.

 

Mais tarde, na volta 30, quando o asfalto começava a secar novamente, Schumacher comete um erro que seria providencial para sua própria vitória. Ele roda sozinho e decide entrar para os boxes. A Benetton aposta em um composto de pneus ‘slick’, fundamental para o alemão ir até o final da prova. As Williams e a McLaren não reagiram de imediato e acabaram perdendo tempo, ficando mais lentas que o alemão na pista.

 

Na estratégia, Michael Schumacher (Benetton) conquistou a sua primeira vitória na carreira, em pódio completado por Mansell e Patrese, justamente um ano após a estreia do alemão, que também tinha acontecido na Bélgica, em 1991, com a equipe Jordan. Martin Brundle, companheiro do alemão, foi o quarto. Senna completou a prova em quinto e Mika Hakkinen foi o sexto com a Lotus.

 

Pela maneira em que o final de semana começou, os dois pontos conquistados por Ayrton na Bélgica tiveram pouca importância perto do ato corajoso do piloto em ajudar um colega de profissão em apuros.

 

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