04/03/2021 16h10

Clubes se mostram favoráveis à paralisação do futebol em SC

FCF suspendeu o Campeonato Catarinense por duas semanas e reunião na sexta-feira (05) pode alterar a fórmula de disputa da competição

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Campeonato foi suspenso por 15 dias após pressão dos municípios (Foto: Lucas Colombo/ECPróspera)

Campeonato foi suspenso por 15 dias após pressão dos municípios (Foto: Lucas Colombo/ECPróspera)

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Duas semanas. Esse é o tempo que, inicialmente, a bola deixa de rolar pelo Campeonato Catarinense. A decisão foi tomada pela FCF (Federação Catarinense de Futebol) na quarta-feira (03), depois que as cidades começaram a sinalizar a publicação de decretos municipais proibindo os jogos. Ainda na quarta-feira, Chapecó, Criciúma e Tubarão comunicaram a decisão da proibição. Florianópolis sinalizou que iria pelo mesmo caminho e, com isso, metade dos times não teria sequer onde mandar seus jogos.

 

A FCF se viu, então, colocada contra a parede e horas após o anúncio dos municípios, comunicou oficialmente a suspensão do Campeonato Catarinense por 15 dias. Nesta sexta-feira (05), um Conselho Técnico extraordinário será realizado com todos os clubes para definir a continuidade da competição.

 

A proposta que deve ser apresentada aos clubes é para alterar as partidas a partir das quartas de final, tornando as decisões em jogos únicos, com vantagem para o melhor colocado na fase classificatória. A medida tem como objetivo “acelerar” a competição em um calendário já apertado do futebol nacional. A previsão inicial era de que o Estadual fosse decidido no dia 23 de maio. Para que a fórmula de disputa seja alterada, sete dos 12 clubes participantes precisam se manifestar favoráveis.

 

Enquanto a reunião não acontece, os clubes se mostram favoráveis à paralisação da competição que já havia tido partidas adiadas devido à situação da pandemia da Covid-19 em Santa Catarina, que se agrava a cada dia que passa.

 

Um dos times que foi afetado foi o JEC, que teve um surto de Covid-19 com mais de 30 casos positivos. O presidente Charles Fischer se mostra completamente favorável à suspensão das atividades neste momento. “Pelo atual momento que vive o Brasil, tem que parar tudo, inclusive o futebol. Temos que dar um tempo, há muita gente sofrendo. Eu sei que é difícil, o Joinville vai sofrer, todos vão, mas ou é isso ou muitas vidas serão perdidas. O dinheiro se recupera, as vidas não”, diz.

 

No Oeste, a situação da pandemia fez com que o jogo da Chapecoense não pudesse ser realizado por falta de ambulância disponível e o presidente do Verdão, Gilson Sbeghen, ressalta a importância de se preservar vidas. “Após ouvir as orientações do departamento médico e com o intuito de preservar a saúde e a integridade física dos nossos atletas, comissão técnica e colaboradores envolvidos no futebol, apoiamos integralmente a decisão da Federação de suspender o campeonato por 15 dias. O mais importante neste momento é a saúde de todos”, salienta.

 

Em Criciúma, o município já havia sinalizado pela proibição do futebol e o presidente do Tigre, Jaime Dal Farra, reforça que diversas equipes não teriam como jogar “em casa”. “Não existe possibilidade nenhuma do campeonato prosseguir. Infelizmente é questão de saúde, não podemos fazer nada com relação a isso, temos que obedecer as determinações dos prefeitos e agora é trabalhar a equipe, usar esses dias para condicionamento dos atletas. Vamos em frente, estamos pensando no jogo contra o Marília no dia 17. Não sabemos se vai acontecer porque no próximo sábado São Paulo entra em lockdown. Não sabemos ainda se o futebol estará incluído”, fala.

 

O presidente do Brusque, Danilo Rezini, ressalta que é preciso avaliar tudo com muita responsabilidade, levando em consideração à situação crítica da pandemia, os protocolos de saúde, a estrutura do futebol, que testa todos os envolvidos e as ações que precisam ser tomadas também em outros setores. Ele questiona a paralisação do futebol e manutenção de outras atividades, mas se mostra favorável à paralisação e à busca por uma maneira de “salvar” o campeonato.

 

“Diante das circunstâncias onde algumas cidades já proibiram, claro que temos que tomar uma posição no sentido de salvar o campeonato, não adianta uma cidade fazer e outra não, isso dá um descompasso. Temos que tomar algumas posições, por isso teremos a reunião, esperamos encontrar um ponto de equilíbrio, mas é preciso deixar claro que o importante é ter a responsabilidade neste momento critico e tentar ao menos minimizar essa situação gravíssima que estamos vivendo”, finaliza.

 

Marcílio Dias é contrário

 

A maioria dos clubes é favorável à paralisação, mas o Marcílio Dias vai na contramão e se mostra contrário à decisão de paralisação do Campeonato Catarinense. De acordo com o clube, “o futebol profissional não é o motivo do colapso da saúde em Santa Catarina”.

 

O Marinheiro reforça que está há um ano sem 60% de sua receita, uma vez que boa parte dos lucros depende dos torcedores em dias de jogos. “Enquanto outras atividades estiverem acontecendo normalmente e o futebol não tiver público nos estádios certamente não será o futebol o responsável pelo aumento ou diminuição de casos”, fala o clube.

 

“Prorrogar o campeonato só irá fazer o buraco financeiro que o clube se encontra aumentar ainda mais. Precisamos ressaltar que todos os atletas são testados semanalmente e acompanhados por um departamento médico. Qual outra atividade que está acontecendo tem um protocolo tão seguro como este? Acompanhamos a situação da saúde em Santa Catarina e desejamos que as autoridades tomem medidas coerentes e efetivas para que o sistema de saúde se restabeleça”, finaliza o Marinheiro em nota oficial.


POR: DRIKA EVARINI – ND+

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