22/04/2019 10h20 - Atualizado em 22/04/2019 09h01

Análise: agora campeão, Corinthians ganha confiança e trata título com a medida certa

Reações após conquista sobre o São Paulo mostram um time com pés no chão

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É evidente que todo título tem de ser comemorado, ainda mais quando se faz história como o Corinthians fez neste domingo, ao conquistar o tricampeonato do Paulistão e repetir um feito de 80 anos atrás, quando o Timão venceu três estaduais seguidos pela última vez.

 

Mais até do que o desempenho na vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo, neste domingo, em Itaquera, há de se ressaltar (e elogiar) o discurso do técnico Fábio Carille minutos depois da conquista do Corinthians.

 

  • “(Dos três títulos) Acho que foi o que a gente menos merecia”.
  • “Em 2017, jogamos muito, em 2018 mais ou menos, esse ano pouco”.
  • “Espero que esse título ganhe uma casca maior para jogar melhor e convencer também”.

 

As três frases mostram um Carille consciente de que é preciso manter os pés no chão e entender que o Corinthians oscilou mais do que se esperava no estadual. O título, então, é tratado na medida certa: uma conquista que deve ser valorizada, mas não servir de muleta para o desempenho da equipe.

 

Ainda estamos, afinal, em abril. O Corinthians tem Copa do Brasil, Copa Sul-Americana e Brasileirão pela frente e não quer ter o mesmo destino de 2018, quando venceu o Paulistão na casa do rival Palmeiras, achou que estava num estágio ideal, mas perdeu fôlego (e jogadores) ao longo da temporada, terminando o ano de maneira melancólica.

 
 

Carille com a taça do título paulista: comemorar, sim, mas entender que o Corinthians tem muito a melhorar — Foto: Marcos RibolliCarille com a taça do título paulista: comemorar, sim, mas entender que o Corinthians tem muito a melhorar — Foto: Marcos Ribolli

Carille com a taça do título paulista: comemorar, sim, mas entender que o Corinthians tem muito a melhorar — Foto: Marcos Ribolli

 

O Corinthians de 2019 ganhou a casca citada por Carille ao repetir o padrão das últimas temporadas e se sair bem nos jogos grandes. Nessas partidas, o técnico também ganhou jogadores que vinham oscilando ou estavam em baixa – Danilo Avelar, Manoel, e mais recentemente Ramiro.

 

O Paulistão, portanto, é o meio, e não o fim. O Corinthians tem consciência de que precisa melhorar (muito) se quiser conquistar mais do que o estadual.

A começar pelo jogo desta quarta-feira, contra a Chapecoense, em Itaquera, quando o time vai precisar inverter uma vantagem de 1 a 0 conquistada pelo rival no jogo de ida da quarta fase da Copa do Brasil.

 

O jogo

Dentro de casa, o Corinthians foi outro (ou ao menos tentou ser por boa parte do jogo). Propondo mais, buscando triangulações e chutes a gol.

 

Pela direita, Fagner, Ramiro e Pedrinho fizeram bom tripé, aproveitando as falhas de marcação de Reinaldo e criando por ali as principais chances – por baixo, um chute de Fagner, invadindo a área, representou bem esse estilo. Tiago Volpi fez ótima defesa.

 

O gol saiu do ponto forte dessa equipe: a bola parada. Inteligente, Ralf se antecipou a Antony, bem mais baixo, e jogou a bola na pequena área, onde Danilo Avelar esperava para abrir o placar.

 
 

Danilo Avelar, um dos jogadores "resgatados" por Carille em título do Corinthians — Foto: Marcos RibolliDanilo Avelar, um dos jogadores "resgatados" por Carille em título do Corinthians — Foto: Marcos Ribolli

Danilo Avelar, um dos jogadores “resgatados” por Carille em título do Corinthians — Foto: Marcos Ribolli

 

Defensivamente, o Corinthians fechou bem o meio, assim como no primeiro jogo, e levou o gol num momento em que estava mais relaxado, nos segundos finais do primeiro tempo, e pagou caro pela displicência de Ralf – um passe mal dado encontrou o pé esquerdo de Antony, que finalizou sem chances para Cássio.

 

No segundo tempo, o Corinthians oscilou, mas Carille mostrou mentalidade diferente das últimas partidas ao lançar Vagner Love no lugar de Pedrinho (vinha bem, porém se desgastou) e mostrar que queria vencer no tempo normal, sem depender de novos milagres de Cássio.

 

A recompensa demorou, mas chegou aos 43: uma jogada trabalhada que começou com Boselli, passou por lindo lançamento de Sornoza e terminou com finalização de primeira e golaço de Love. Um gol idêntico ao do Corinthians de Tite, em 2015, contra o mesmo São Paulo – passe de Jadson, golaço de Elias.

 
 
 

Ainda são lampejos, sinais, mas o Corinthians mostra que pode aliar competitividade e bom futebol. Um título, claro, facilita o caminho.

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