09/08/2018 10h40 - Atualizado em 09/08/2018 10h41

Pessoas que sentem raiva com facilidade pensam que são mais inteligentes do que são

Pesquisas anteriores já haviam mostrado que a raiva é uma emoção negativa incomum

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Pessoas raivosas tendem a pensar que são mais inteligentes do que realmente são, de acordo com uma nova pesquisa de psicologia publicada na revista Intelligence. Aparentemente, a raiva, diferentemente de outros sentimentos negativos, está relacionada a uma ilusão de “inteligência positiva” que faz com que estas pessoas superestimem suas capacidades mentais.

 

Pesquisas anteriores já haviam mostrado que a raiva é uma emoção negativa incomum, pois é frequentemente associada a traços positivos, como o otimismo.

 

Porém, pesquisadores da Universidade Varsóvia, na Polônia, suspeitavam que pessoas raivosas poderiam estar mais propensas a superestimar o quão inteligentes elas são, por isso resolveram testar esta teoria. “Em um projeto recente, examinei a relação entre a raiva e várias funções cognitivas. Percebi na revisão da literatura que a raiva difere significativamente de outras emoções negativas, como tristeza, ansiedade ou depressão, sendo mais orientada para a abordagem e associada à percepção de risco otimista e ao viés geralmente otimista”, explica o autor do estudo, Marcin Zajenkowski, em entrevista ao portal Psy Post.

 

Zajenkowski diz que queria descobrir se altos índices de raiva fariam com que as pessoas superestimassem suas habilidades e competências. “Especificamente, eu testei se ela leva à ilusão de inteligência positiva”, afirma.

 

Em dois estudos, com 528 participantes no total, os pesquisadores descobriram que as pessoas que confessavam ter um temperamento explosivo realmente tendiam a superestimar sua inteligência.

 

Os participantes tiveram que medir sua propensão a se sentirem raivosas, avaliar sua própria inteligência e depois realizar testes objetivos de inteligência. Os resultados foram aqueles previstos pelos pesquisadores. “Indivíduos com índices altos de raiva tendem a superestimar suas habilidades, ou seja, pensam que são mais espertos do que realmente são”, contou Zajenkowski ao PsyPost.

 

Por outro lado, os estudantes que eram mais neuróticos – com traços negativos que incluíam ansiedade e angústia -,um traço frequentemente associado à raiva, geralmente subestimavam sua inteligência.

 

Narcisismo

Os pesquisadores descobriram que o narcisismo era um fator-chave em como as pessoas julgavam o quão inteligentes elas eram. As pessoas com personalidades mais propensas à raiva tinham “ilusões narcísicas”, segundo Zajenkowski.

 

Embora o estudo tenha descoberto que as pessoas raivosas tendem a ser mais narcisistas e superestimarem suas capacidades intelectuais, a raiva não estava relacionada ao nível real de inteligência. E, embora os pesquisadores tenham encontrado uma associação entre os dois traços, eles ainda não sabem se há uma relação de causa e efeito entre eles. Segundo os pesquisadores, pesquisas futuras serão necessárias para explorar essa conexão.

 

O que o estudo não testou foi como e se sentir-se raivoso afeta a inteligência percebida no calor do momento. O estudo avaliou a raiva como um traço de personalidade, mas ela é muitas vezes uma emoção temporária. Pesquisas adicionais também são necessárias para descobrir se as pessoas que não se enfurecem facilmente podem estar excessivamente confiantes em suas habilidades apenas no momento em que estão perturbadas.

 

“Nosso estudo examinou apenas a raiva como um traço (de personalidade). No entanto, estudos futuros podem explorar se a experiência temporária também leva a uma percepção tendenciosa das habilidades (cognitivas)”, aponta Zajenkowski. [Psy PostLive Science]

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