14/05/2020 10h32

Especialistas alertam para riscos à saúde pública caso haja retorno do transporte coletivo nos próximos dias em SC

Alesc aprovou projeto de lei que torna transporte urbano essencial

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Especialistas em saúde têm demonstrado preocupação com o retorno do transporte coletivo em Santa Catarina neste momento da pandemia do novo coronavírus. O serviço está suspenso desde 19 de março e a retomada está sendo discutida pelo governo estadual. Entre os principais riscos apontados está o possível aumento de pessoas diagnosticadas com o Covid-19. Até o momento, Santa Catarina tem 3.828 casos, incluindo 73 mortes.

 

Enquanto o governo estadual ainda avalia o retorno do transporte público, nesta quarta-feira (13) os deputados aprovaram na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) um projeto de lei que reconhece o transporte coletivo urbano municipal e intermunicipal como essencial em Santa Catarina, mesmo durante a pandemia.

 

Agora, a proposta segue para o governador Carlos Moisés da Silva (PSL), que adiantou que vai sancionar, mas que será bem delimitado como deve ser esse funcionamento.

 

“Estamos sensíveis a este setor, foi muito afetado, movimenta as cidades, a essencialidade já é subentendida pelo governo, do transporte, obviamente nós sancionaremos. […] Mas, deve passar por portaria específica para funcionar, pois não estamos em condição de normalidade”, afirmou o governador de Santa Catarina na noite de quarta.

 

De acordo com o governador, ainda não há data certa para retomar o serviço, mas o assunto segue sendo debatido. Ainda segundo ele, o retorno, quando houver, será em datas diferentes em cada região catarinense.

 

“Certamente o retorno não será na segunda-feira (18/05) […] É possível que seja liberado em alguns dias, mas que não se adeque a todas as regiões do estado”, afirmou Carlos Moisés.

Essas especificidades para cada região devem ser realmente consideradas, segundo Fabrício Menegon, professor do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), isso porque a contaminação está sendo de maneira diferente pelo território catarinense.

 

“Há diferentes focos da epidemia, em diferentes regiões do estado. Vide os casos na região Oeste e Sul envolvendo a indústria frigorífica. Esses trabalhadores estão muito expostos e vulneráveis por conta das decisões políticas envolvendo a indústria de alimentos como atividade essencial. Esses surtos ocorrem em tempos diferentes, provocados por dinâmicas e particularidades de cada situação”, exemplifica o epidemiologista.

 

Para ele e outros especialistas ouvidos pelo G1, ainda é cedo para retomar o transporte coletivo por causa dos riscos à população e aos trabalhadores. Segundo eles, quando o retorno ocorrer, deve ser de forma gradual. Mesmo sendo contrários, eles têm sugestões para que a retomada tenha um impacto menor entre a população (veja mais abaixo).

 

“Será um fator de risco a mais que o governo terá que lidar. Haverá um aumento abrupto da circulação de pessoas. A conta é simples: quanto mais pessoas circulando, maior será também a provável circulação do vírus”, afirma Menegon.

 

“É possível que ocorra uma expansão ainda maior no número de casos. Se isso ocorrer, há que se monitorar qual o impacto disso no sistema de saúde”, diz o epidemiologista da UFSC.

 

“Existem evidências de que o ar viciado dentro dos coletivos aumenta muito o risco de contaminação, inclusive tem artigos que mostram o aumento muito importante da contaminação pelo Covid-19 ocupacional, os motoristas que ficam nas cabines têm muito mais risco de ter Covid que a população em geral”, afirma Flavio Magajewski, médico pediatra, sanitarista e do trabalho, mestre em Administração e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (Unisul).

 

“Um usuário do sistema de transporte se expõe uma ou duas vezes por dia, por viagens de 20 a 40 minutos, enquanto os profissionais trabalham de 6 a 12 horas por dia, com dezenas de exposições diárias”, detalha o também professor de Saúde Pública da UFSC, Sérgio Freitas, especialista e pesquisador na área.

Fonte: G1
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