05/08/2020 11h38

Entenda por que o mar recuou tanto em SC nesta semana

Influência dos ventos e da chamada “Maré de Sizígia” explicam o fenômeno; veja os detalhes

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Fonte: NSC

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Um vídeo feito na região da Praia do Gravatá, em Navegantes, surpreende. O recuo do mar nesta terça-feira (4) chamou a atenção dos moradores, chegando próximo à ilha que fica perto do costão. Era possível ir a pé até lá. Na gravação, a pessoa que está filmando ainda brinca: “vai vir um tsunami aí”. Mas, fique tranquilo, não é bem assim. O fenômeno foi causado pela influência dos ventos e da chamada “Maré de Sizígia” e ocorre em toda Santa Catarina. Ainda não entendeu? Então vamos lá.

 

O oceanólogo da Epagri/Ciram, Argeu Vanz, explica que a maré baixíssima — popularmente chamada de “torrada”, de tão seca — é causada por pelo menos dois fatores: o primeiro deles é a influência da lua cheia no mar, a tal da sizígia, que é o alinhamento dos astros. Isso faz com que a diferença entre as marés baixa e alta seja grande. Soma-se esse fenômeno aos ventos que vêm soprando na direção nordeste e, pronto, o caso está desvendado.

 

— O que está ocorrendo de diferente das outras é que existe esse vento atuando. Ele afasta a água da costa, e faz com que as marés baixas fiquem mais baixas ainda, o que acaba expondo muitas áreas — explica Argeu Vanz.

 

Gráficos atualizados em tempo real no site da Epagri/Ciram também ajudam a entender esse fenômeno (confira abaixo). A linha azul mostra a maré prevista, a vermelha a que foi observada e a verde a diferença entre elas. Quanto menor a linha esverdeada, mais baixa foi a maré. Nesta terça-feira (4), por exemplo, em Itajaí, o índice foi o mais baixo no período, com -45,88 às 7h15min. Nesta quarta (5), chegou a -41,62. O mesmo ocorre em outras cidades monitoradas.

 

Linha verde do gráfico mostra o quão baixa está a maré, o que reflete no recuo do mar.(Foto: Reprodução, Epagri/Ciram)

Linha verde do gráfico mostra o quão baixa está a maré, o que reflete no recuo do mar.(Foto: Reprodução, Epagri/Ciram)

 

Sobre o medo de um tsunami, Argeu conta que não há nenhum indicativo, mas que a preocupação da população é um sinal de que todos estão alertas a esse tipo de ocorrência:

 

— Ainda bem que as pessoas sabem que o tsunami provoca o recuo do mar e que estão atentas. Mas, nesse caso, não é.

 

Argeu, que é graduado em Oceanologia e mestre em Oceanografia Física, Química e Geológica pela Universidade Federal do Rio Grande, ainda faz um alerta: nesse período de Maré de Sizígia as correntes ficam muito fortes, então há condição para afogamentos. Tudo bem que nem o tempo, nem a pandemia, colaboram para um banho de mar, né? Mas alertar nunca é demais.

 

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