23/05/2020 13h05

América do Sul se tornou novo epicentro da Covid-19, diz OMS

Organização Mundial da Saúde também apontou o Brasil como o país mais infectado pelo vírus no continente; informação não surpreende médicos

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Após a América do Sul ser apontada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como novo epicentro da Covid-19 e o Brasil responder por 57,2% dos 578.329 infectados na região e por 71,8% dos 28.318 mortos, a informação não surpreendeu médicos brasileiros ouvidos pelo Estadão.

 

Para Nacime Salomão Mansur, superintendente da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), entidade responsável pela administração de parte dos leitos do Hospital de Campanha do Anhembi, na capital paulista, o número de casos e de mortes assusta, mas era esperado.

 

“O que estamos vivendo agora acontece pelas grandes densidades populacionais, por grande parte da população se manter sem o isolamento social e pela nossa péssima distribuição de renda”, comentou.

 

Segundo ele, a crise demorou a avançar até por algumas decisões governamentais. “Falando especificamente sobre São Paulo (epicentro brasileiro da doença), o Estado de certa maneira cumpriu com o papel na tentativa de achatar a curva a tempo de aumentar o número de leitos hospitalares”, acrescentou.

 

O total de pessoas mortas por Covid-19 em São Paulo cresceu 3,8% em 24 horas, chegando a um total de 5.773 óbitos.

 

Mario Rubens Vianna, presidente do Sindicato dos Médicos do Estado do Amazonas, diz que não aguenta mais pedir ajuda para o governo federal para minimizar a crise. “Já disse inúmeras vezes que o Brasil deveria ter alguma preocupação especial com o Amazonas pela extensão territorial e pelo acesso difícil a muitas cidades.”

 

O principal problema no momento, segundo ele, está na dificuldade em atender à população das cidades do interior. “Em muitos municípios afastados não há saúde pública de nível mínimo, falta qualificação dos profissionais, é uma tragédia. A consequência disso é a superlotação dos hospitais da capital. A população dessas cidades menores migra em busca de atendimento.”

 

Fonte: Nd+

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