18/05/2020 16h43

Alesc prevê a retomada gradual das aulas no Estado a partir do mês que vem

Há dois problemas na proposta de retomada

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
Delta Ativa

Um projeto de lei protocolado pelo deputado estadual João Amin (PP), que tramita na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), prevê a retomada gradual das aulas no Estado a partir do mês que vem. A justificativa diz que a Educação é um direito fundamental, previsto na Constituição Federal, e que a suspensão das aulas acarreta em uma série de problemas.

 

O deputado tem razão. Com a liberação das atividades econômicas em Santa Catarina, muitos pais não têm onde deixar os filhos, que estão fora da escola. O ensino à distância, forçado e adaptado pelas circunstâncias, deixa professores, pais e alunos inseguros quanto à efetividade. Sem contar os casos extremos, de crianças que precisam das refeições fornecidas nas escolas.

 

Mas há dois problemas na proposta de retomada. E o primeiro deles é a controvérsia de que tenha vindo do Legislativo, em projeto parlamentar. Em tese, os deputados vão legislar sobre um assunto de competência do Executivo, a quem caberia propor o reinício das aulas.

 

O segundo problema é o fato da solução ser muito mais complexa do que parece.

 

Inspirado em iniciativas europeias, onde as aulas começaram a ser retomadas aos poucos nas últimas semanas, o projeto prevê, por exemplo, o controle dos bebedouros, talheres individuais nas refeições e atividades físicas sem contato. Medidas de difícil controle quando se trata de crianças pequenas em salas de aulas superlotadas.

 

A retomada na Europa inclui distância de 1,5 a 2 metros entre as carteiras e salas limitadas a 10 ou 15 alunos. Algo quase impensável com na maior parte de nossa estrutura escolar.

 

Some-se a isso o fato de que estamos nos aproximando do inverno, período em que os vírus respiratórios circulam com mais facilidade. Teremos não apenas o coronavírus, mas também as gripes e os resfriados. Todos com sintomas parecidos, e com rápida circulação entre crianças.

 

Os especialistas alertam, ainda, que a dificuldade de manter medidas como o distanciamento social entre crianças as torna vetores da covid-19. Podem se contaminar, e espalhar o vírus mesmo sem ter qualquer sintoma.

 

Entre os pais e responsáveis, as opiniões divergem. Há os que estão preocupados com a conclusão do ano letivo, e preferiam que os filhos estivessem de volta ao colégio. Outros não se sentem seguros para enviar os filhos à escola ainda – e não o farão, mesmo que seja determinado o retorno às aulas.

 

O projeto tem o mérito de estabelecer regras úteis para a retomada. Mas é necessário lembrar que o coronavírus ainda não está sob controle em Santa Catarina – pelo contrário. Na última semana, de 9 a 16 de maio, o número de mortes subiu 26,5%. Isso indica que a doença ainda segue seu curso, e relaxar medidas de impacto como a suspensão das atividades escolares presenciais pode ter um alto custo.

 

É importante que o Estado tenha protocolos e critérios para a hora da volta as aulas. Mas ainda não é o momento.

 

Por Dagmara Spautz

 
PUBLICIDADE