15/01/2021 08h33

“Joga em casa Blumenau”: torcedores se mobilizam por construção de estádio na cidade

Movimento popular tem o objetivo de unir as torcidas de Metropolitano e BEC na pressão por um estádio no município

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Movimento busca a construção de um novo estádio municipal em Blumenau (Foto: Jornal de Santa Catarina)

Movimento busca a construção de um novo estádio municipal em Blumenau (Foto: Jornal de Santa Catarina)

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Estádio lotado, jogo decisivo, o time da casa precisando da vitória. No último lance, escanteio, a torcida vibra, grita, acreditando no gol, que acontece. A arquibancada explode de alegria, jogadores se jogam nos braços da torcida. Muito bonito, não é? Este cenário tão conhecido no mundo do futebol fica cada vez mais distante da realidade dos clubes de Blumenau, que a cada ano que passa, se veem na obrigação de lever seus jogos para cada vez mais longe de seus torcedores.

 

A insatisfação com essa situação fez com que um grupo de torcedores, liderado por Henrique de Pinho Ramos e Gabriel Augusto Machado Knaul, criasse o Movimento Popular Joga em Casa Blumenau. O projeto tem como principal objetivo o incentivo da construção de um estádio municipal, o que possibilitaria a volta do mando de campo em solo blumenauense. 

 

— A volta do mando de campo para nossa cidade pode ser benéfica em vários sentidos. O primeiro deles é estreitar mais a relação torcedor e clube, o que é muito importante. Além disso, temos o retorno financeiro para os times, que com bilheteria e premiações, poderiam investir em jogadores, estrutura, melhorando os resultados obtidos dentro de campo — conta Henrique, que tem 28 anos, atua como desenvolvedor de softwares e é torcedor apaixonado do Clube Atlético Metropolitano.

 

Como surgiu a ideia do movimento

 

A ideia do projeto surgiu após a notícia de que o Metropolitano e o Blumenau Esporte Clube teriam de mandar os jogos desta temporada longe da cidade, pois não poderiam utilizar o Estádio do Sesi. Por esta razão, o Verdão do Vale fechou um contrato nesta semana que permite mandar os jogos no Estádio da Baixada, em Ibirama.

 

O grupo de torcedores se uniu para criar estratégias e métodos para pressionar o poder público de Blumenau, afim de colocar em prática um projeto já visto no município de Bauru (SP).

 

— Sabemos da existência de um convênio entre o governo federal junto à prefeitura de Bauru, que foi utilizado para a construção de uma arena poliesportiva na cidade. O que nós pretendemos é mostrar à Câmara de Vereadores e ao prefeito que o município pode usar o mesmo convênio para a construção do estádio municipal e assim os clubes da cidade não terão que mandar seus jogos fora de Blumenau — explica.

 

“É possível”

 

Além disso, Henrique explica que haveria o conforto por parte do torcedor, que não teria mais que se deslocar para outra cidade para assistir os jogos. Isso traria o foco para a cidade de Blumenau, que ganharia mais visibilidade, podendo fortalecer outros setores, como o turismo.

 

— Queremos mostrar para o poder público que é possível colocar este projeto em prática sem ter que tirar recursos de outras áreas como saúde, educação, segurança. Vamos mostrar o quão lucrativo seria para a cidade ter o futebol como uma forma de fomentar ainda mais o turismo no município, e assim mobilizar a população em prol dessa causa — esclarece.

 

Para que o Movimento Popular Joga em Casa Blumenau saia do papel, Henrique explica que o apoio é importante. Além de buscar a ajuda de vereadores e líderes políticos do município, o auxílio do povo blumenauense é necessário. Uma apresentação para a Câmara de Vereadores, inclusive, está sendo planejada.

 

— Precisamos que nossa voz seja ouvida de uma vez por todas. Não queremos mais ver nossos clubes nesta situação, queremos estar perto, apoiar, por isso nosso movimento não vai parar até que de fato o estádio municipal seja viabilizado — finaliza.

 

Porque Blumenau está sem estádio?

 

A situação da falta de estádio para mandar os jogos em Blumenau para os clubes da região se estende desde 2019. Na ocasião, a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) se negou a renovar o contrato de aluguel do Estádio do Sesi para o Metropolitano, alegando o desejo de usar a estrutura do local para serviços de saúde e educação a trabalhadores.

 

Além disto, outro fator que deixou ainda mais escassa as opções para Blumenau foi a demolição do antigo Estádio Aderbal Ramos da Silva, o Deba, em 2007, que impactou na centralização do futebol profissional no complexo esportivo do Sesi. 


POR: DANIEL NOGUEIRA / JORNAL DE SANTA CATARINA – NSC

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