23/03/2020 16h22 - Atualizado em 23/03/2020 16h23

Como times da elite se organizam contra crise por Covid-19: “Tem clube que não suporta 30 dias”

Presidente do Bahia prevê máximo de três meses de sobrevivência sem jogos

PUBLICIDADE
Fonte: Globo Esporte

Fonte: Globo Esporte

PUBLICIDADE
Delta Ativa

A paralisação das competições devido à pandemia do novo Coronavírus traz um impacto financeiro de dimensão ainda incalculável para os clubes de futebol no Brasil. Uma semana após a suspensão das disputas, as equipes organizam medidas extraordinárias para enfrentar o período de crise.

 

Na Série A, maior parte das diretorias pretendem se concentrar em ações conjuntas, atuando com propostas junto à Confederação Brasileira de Futebol e aos sindicatos que representam os atletas. Além de uma tentativa de fazer com que o pagamento das parcelas do Profut seja adiado pelo Governo Federal. Mas o cenário preocupa.

 

Para o presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, a depender da composição de receita dos clubes, a projeção é de que suportem o máximo de três meses sem jogos.

 

Uma das tentativas para amenizar este cenário é a proposta apresentada aos representantes dos atletas, pela Comissão Nacional de Clubes (Fluminense, Atlético-MG, Grêmio, Palmeiras e Bahia na Série A). Os jogadores recebem férias até o dia 21 de abril. Caso os torneios não retornem após esse período, a remuneração seria reduzida em 50% por 30 dias. Sem mudança de cenário no mês seguinte, o contrato de trabalho ficaria suspenso até o retorno das atividades, com os vínculos prorrogados pelo tempo de suspensão.

 

Em momento de diálogo, o Sindicato fará uma contraproposta. A redução salarial não foi vista com bons olhos pelos atletas, pois a CLT prevê o desconto máximo de 25%. Advogado trabalhista e integrante da Comissão, o presidente do Fluminense, Mário Bittencourt, detalha a ideia dos clubes.

 

Na última semana, a Procuradoria-Geral da Fazenda suspendeu por 90 dias os atos de cobrança da dívida ativa da União. Com isso, ficam paralisados prazos e novos procedimentos na entidade para os 11 clubes que acumulam, juntos, mais de R$ 253 milhões em débitos com o órgão.

 

Para o vice-presidente de finanças do Botafogo, Luiz Felipe Novis, a medida ajuda. O dirigente, no entanto, pondera a questão dos patrocinadores. Por conta da Covid-19, o clube perdeu o investimento da Azeite Royal, que notificou a rescisão do contrato também ao Fluminense, Flamengo e Vasco, que recebiam da empresa.

 

– A medida da Procuradoria dá um fôlego e ajuda um pouco. Vamos ver as medidas que vão ser propostas. Acredito que elas venham para ajudar, mas não tenho ideia se vão resolver 100% dos problemas. Temos que negociar com os fornecedores. Se não estou exibindo a marca (dos patrocinadores) na camisa, em tese, poderiam dizer que não vão pagar. É muito preocupante. A curto prazo temos que sentar e ver o que fazer. Não é a estratégia de um ou outro clube. Não existe solução única.

PUBLICIDADE