11/04/2017 17h45 - Atualizado em 11/04/2017 15h09

MST espera que 600 famílias ocupem terreno em SC

Advogado deve pedir reintegração de posse nesta quarta-feira

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Alex Sander Magdyel - Jornal A Notícia

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Nesta segunda-feira, o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) liderou uma ocupação em Garuva, no norte catarinense. A expectativa do movimento é que cerca de 600 famílias montem acampamento no terreno, que fica na região conhecida como Minas Velhas, perto da divisa com o Paraná. Alvaro Carlos Meyer, que afirma ser advogado do dono das terras, diz que está providenciando o pedido de reintegração de posse.

 

Um comboio formado por militantes do MST começou a chegar no local por volta das 6 horas de segunda-feira. A ocupação já era planejada há meses e faz parte da Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária. Policiais estiveram no local e registraram um boletim de ocorrência. A Polícia Militar não contabilizou a quantidade de pessoas no terreno. Em Santa Catarina, um outro terreno em Fraiburgo também foi ocupado. 

 

João Maria de Oliveira, membro do MST, explica que essas ocupações serão feitas entre 10 e 17 de abril em todo o território nacional. Até a noite desta segunda-feira, 200 famílias já haviam se instalado no terreno, de acordo com João Maria. Segundo o MST, são famílias de Joinville – principalmente dos bairros Jardim Paraíso e Paranaguamirim-, Jaraguá do Sul, Garuva e Araquari. – Só em Santa Catarina, temos 1,2 mil famílias acampadas. Nós queremos que a reforma agrária volte para a pauta do governo imediatamente – explica.

 

Vilson Santin, um dos dirigentes estaduais e nacionais e um dos fundadores do MST em Santa Catarina, diz que foram as famílias que procuraram o movimento em busca de terra para plantar. Segundo Santin, que já foi deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT), 90% das pessoas têm origem na agricultura. A decisão das famílias, de ocupar uma área com o MST, acontece por vários motivos, como aluguel caro, custo de vida alto, desemprego e falta de segurança na cidade, diz Santin. A ideia do MST é iniciar o plantio para produção de alimentos e criação de gado leiteiro.

 

 – Queremos ir na linha da diversificação da produção, com agroecologia, piscicultura, produção orgânica e sustentável. Tem uma riqueza muito grande aqui – afirma Santin, que diz ser assentado do acampamento Anita Garibaldi, em Ponte Alta, há 14 anos. Ele estima que o terreno ocupado em Garuva tenha mais de mil hectares. – Essa terra está abandonada há 12 anos. No nosso olhar, ela é improdutiva. Sentimos que ela não cumpre sua função social – explica. 

 

Famílias começaram a chegar no terreno por volta das 6 horas de segunda-feiraFoto: Juliana Adriano / MST
 
 

O advogado Alvaro Carlos Meyer, citado por integrantes do MST, nega que seja o dono das terras. Ele diz que o terreno é de um cliente e que eles estão providenciando o pedido de reintegração de posse, que deve ser feito nesta quarta-feira. Ele também nega que o terreno esteja abandonado.

 

– Existem contratos de locação e de arrendamento. Para mim, esse pessoal do MST errou o caminho. Tem aviário em reforma, a casa tem energia, tem atividades de mineração. A propriedade não está abandonada. O próprio contrato de locação prevê a função social – defende o advogado, que informou que o terreno ocupado tem cerca de 250 metros. – Estão prejudicando pessoas que lutaram a vida inteira, é uma linda propriedade. E não tem nenhuma pendência fiscal, nenhum débito – afirma Alvaro Carlos.

 

 O MST nomeou o acampamento como Assentamento Egídio Brunetto. O movimentou informou que uma reunião com o prefeito de Garuva foi agendada para a próxima quarta-feira, quando o MST pretende solicitar auxílio relacionado às questões de saúde, educação e infraestrutura. A assessoria de imprensa da Prefeitura confirma que há uma reunião agendada, mas ainda não garante que o prefeito participe.

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