11/07/2018 16h10 - Atualizado em 11/07/2018 14h45

Amin e a hora da decisão

Esperidião deve definir nos próximos dias se disputa o governo ou o Senado

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Por Upiara Boschi / NSC

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Esperidião Amin tem tudo para ser o personagem político da semana. Ex-governador, ex-prefeito da Capital, ex-senador e hoje deputado federal pelo segundo mandato consecutivo, o líder do PP é o maior nome da política catarinense em atividade. Nos próximos dias deve decidir se encara a quinta disputa pelo governo do Estado ou se embarca em uma aparentemente tranquila corrida por uma das vagas ao Senado.

 

Existem bons motivos para Amin estar em dúvida. Nas pesquisas que circulam, o pepista lidera e aparenta ter recuperado a competitividade eleitoral para uma disputa majoritária. As derrotas de 2002 e 2006 para o governo e de 2008 para a prefeitura de Florianópolis haviam cravado sobre ele a pecha de ser bom de largada, mas de ter um teto eleitoral. Os seguidos insucessos afastaram antigos aliados, cooptados pelas composições de Luiz Henrique da Silveira ao longo dos anos 2000.

 

Foi Luiz Henrique que disse uma frase que citei algumas colunas atrás, a de que “o político é o único animal que ressuscita”. Era justamente sobre Amin, sobre a necessidade de manter sólida uma composição que o mantivesse isolado em 2014. Na época, a tríplice aliança perdia o PSDB e já apresentava fadiga de material a relação entre PSD e PMDB.

 

Amin foi o deputado federal mais votado, Luiz Henrique morreria no ano seguinte, a Operação Lava-Jato colocou quase toda a classe política em suspeição. O pepista passou incólume pelo furacão e ressuscitou politicamente. Na ausência de renovação clara, surgiu como opção de confiança durante o período pré-eleitoral. Diante das dúvidas sobre a consistência das pré-candidaturas de Gelson Merisio (PSD), Paulo Bauer (PSDB) e Mauro Mariani (MDB), voltou a ser paparicado por partidos e antigos aliados.

 

No momento, PP e PSD estão alinhados. Merisio demonstra força política e mantém em pé sua pré-candidatura, que deve ser confirmada na convenção pessedista dia 21 de julho (e não agosto, como escrevi nas colunas desta quarta-feira). Resistiu como pôde às pressões para ser vice de Amin – tese que interessaria ao ex-governador Raimundo Colombo (PSD), que busca uma eleição mais tranquila ao Senado.

 

Sem tirar Merisio do páreo, a candidatura de Amin significaria o rompimento dessa aliança prévia com o PSD e a construção de outro projeto, provavelmente com DEM e talvez com o PSDB. Teria largada e uma boa aliança, especialmente se os tucanos viessem. Seria competitivo, mas enfrentaria as máquinas do PSD de Merisio e do MDB de Mariani com o governo nas mãos do emedebista Eduardo Pinho Moreira. Ficaria entre a consagração e uma nova derrota. Eleito, governaria um Estado que aparenta estar prestes a quebrar.

 

Enquanto isso, o Senado garantiria um mandato de oito anos e a volta ao palco nobre do Congresso Nacional. Nesse caso, bastaria aceitar a composição com Merisio, que é do agrado da cúpula pepista. É isso que estará em jogo nos próximos dias, talvez horas. A decisão de Amin é a senha para a consolidação do cenário eleitoral catarinense.

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