15/05/2018 16h40 - Atualizado em 15/05/2018 14h12

Há exatos 30 anos, em Mônaco, o maior erro da carreira de Ayrton Senna

Futuro tricampeão liderava com mais de 50 segundos de vantagem sobre Alain Prost quando bateu sozinho

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No dia 15 de maio de 1988, há exatos 30 anos, portanto, é marcado pelo maior erro da carreira de Ayrton Senna. Ele liderava o Grande Prêmio de Mônaco com 54 segundos de vantagem sobre seu companheiro na McLaren, Alain Prost, quando bateu sozinho na curva Portier, pouco antes da entrada do túnel. O francês herdou de graça a liderança e venceu pela terceira vez em quatro anos no Principado, enquanto Senna precisou de uma enorme reflexão para renascer e conquistar no fim daquele ano seu primeiro título na F1. A marcante corrida em Mônaco é o tema da seção OTD (“On This Day”, ou “Neste dia” em português).

 

O Dream Team da McLaren foi inacreditavelmente arrasador durante todo aquele ano de 1988, com o impressionante modelo MP4/4 de motor Honda. Depois da vitória de Prost na abertura do Mundial, no Brasil, Senna reagiu ao vencer em San Marino. Mas era o francês quem liderava a tabela de pontuação, com 15 pontos contra 9 do brasileiro.

 

Senna aniquilou Prost nos treinos do GP de Mônaco de 1988 (Foto: Getty Images)Senna aniquilou Prost nos treinos do GP de Mônaco de 1988 (Foto: Getty Images)

Senna aniquilou Prost nos treinos do GP de Mônaco de 1988 (Foto: Getty Images)

 

Disposto a virar o jogo contra Prost, Senna foi simplesmente arrasador nos treinos. Numa temporada em que não havia mais os pneus de classificação (extremamente moles e aderentes, para apenas uma volta lançada), os pilotos costumavam dar uma sequência de voltas para finalmente atingir o melhor tempo. E numa dessas sequências, Senna começou a ir cada vez mais rápido, volta após volta. O tempo de 1m23s998 alcançado por Ayrton foi simplesmente fantástico, 1s427 melhor do que a marca de Prost.

 

Tempos depois, Senna confessou ao escritor Gerald Donaldson que naquele dia começou a ir tão rápido, mas tão rápido, que de repente se viu numa outra dimensão, sem pilotar o carro de forma consciente, e que isso o assustou e o fez voltar aos boxes para não mais sair.

 

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Senna mantém a ponta após a largada no GP de Mônaco de 1988 (Foto: Divulgação)Senna mantém a ponta após a largada no GP de Mônaco de 1988 (Foto: Divulgação)

Senna mantém a ponta após a largada no GP de Mônaco de 1988 (Foto: Divulgação)

 

O show dos treinos continuou na corrida. Senna largou bem e manteve a liderança, enquanto Prost ficou preso atrás da Ferrari de Gerhard Berger. Numa pista normal, Prost provavelmente teria se livrado rapidamente do austríaco. Mas Mônaco é Mônaco…

 

Prost já não era muito afeito a arriscar demais. E o francês, de fato, ficou na cola de Berger por 53 das 78 voltas até que finalmente encontrou uma brecha mais segura para conseguir a ultrapassagem, na freada para a St.Devote. A essa altura, Senna estava longe, muito longe.

 
 

Prost perseguiu Berger por mais da metade do GP de Mônaco de 1988 (Foto: Getty Images)Prost perseguiu Berger por mais da metade do GP de Mônaco de 1988 (Foto: Getty Images)

Prost perseguiu Berger por mais da metade do GP de Mônaco de 1988 (Foto: Getty Images)

 

No momento em que ultrapassou Berger, Prost estava a 50 segundos de Senna. Nas três voltas seguintes, o francês, finalmente com pista livre, apertou o ritmo e tirou quatro segundos. Avisado sobre a queda da diferença, Senna voltou a acelerar. Fez a melhor volta da corrida na 59ª passagem, e levou a vantagem até 54s926, na volta 62. Foi quando a McLaren pediu para Senna tirar o pé porque ele não seria atacado por Prost.

 

Senna cumpriu a determinação e reduziu o ritmo. Mas na volta 67, quando já estava esquecido pelas câmeras de TV, o brasileiro apareceu de repente com a McLaren estampada no guard rail na entrada do túnel. Ayrton saiu visivelmente irritado, inclusive dispensando rudemente a ajuda dos comissários de pista, e começou a andar, jogando fora os earplugs que protegiam seus ouvidos do barulho do motor Honda turbo V6.

 

Senna tinha 55 segundos de vantagem quando abandonou GP de Mônaco de 1988 (Foto: Getty Images)Senna tinha 55 segundos de vantagem quando abandonou GP de Mônaco de 1988 (Foto: Getty Images)

Senna tinha 55 segundos de vantagem quando abandonou GP de Mônaco de 1988 (Foto: Getty Images)

 

Prost herdou a liderança e nas voltas finais controlou sem problemas a vantagem que já tinha conseguido sobre Berger, cruzando a linha de chegada 20 segundos à frente do austríaco, com Michele Alboreto completando o pódio. Com a terceira vitória em quatro anos no Principado, o francês não só ampliava o recorde de triunfos na F1 para 30, como disparava na liderança do campeonato, com 24 pontos, contra 15 de Berger e apenas 9 de Senna.

 

Prost comemora a vitória em Mônaco, em 1988 (Foto: Getty Images)Prost comemora a vitória em Mônaco, em 1988 (Foto: Getty Images)

Prost comemora a vitória em Mônaco, em 1988 (Foto: Getty Images)

 

Mas afinal o que teria acontecido com Senna? Como ele conseguiu cometer um erro tão inacreditável? Duas versões foram apontadas pelo próprio Ayrton.

 

Logo depois da batida, o brasileiro não voltou aos boxes como seria o normal, mas simplesmente se mandou para o apartamento onde morava, a poucos metros do local. Depois de comentar a corrida pela Globo, Reginaldo Leme começou a procurar Senna nos boxes e, como nem a McLaren sabia onde o piloto estava, suspeitou que Ayrton, de fato, tivesse ido para casa. Reginaldo ligou para o apartamento de Senna, que atendeu mas não quis gravar entrevistas. Pediu apenas que Reginaldo comunicasse aos jornalistas do mundo todo que ele havia tido uma perda de concentração.

 

Anos mais tarde, Galvão Bueno revelou outra versão. Segundo ele, Senna disse que não reduziu o ritmo – e bateu – porque queria dar uma volta em Prost no fim da corrida. O objetivo era aplicar um grande golpe psicológico na disputa interna na McLaren. Isso explicaria os tempos cravados por Ayrton nas voltas posteriores à investida de Prost, depois que o francês assumiu a segunda colocação, embora Senha tenha levantado o pé pouco antes da batida.

 

Seja qual for a versão, fato é que Senna fez uma grande reflexão pessoal após o erro em Monte Carlo, passando até a buscar mais apoio na religião. Depois de Mônaco, Senna venceu seis das sete corridas seguintes, e no fim do ano conquistou o título, com uma prova de antecedência. E jamais seria derrotado novamente em Mônaco, tendo vencido a prova em 1989, 1990, 1991, 1992 e 1993.

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