13/08/2019 13h30 - Atualizado em 13/08/2019 10h41

Galvão afirma que Ceni deveria ter seguido no Fortaleza

Caio entende decisão do treinador

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Durante o “Bem, Amigos” desta segunda-feira, Galvão Bueno e seus convidados tiveram como um dos tempos principais do programa a ida de Rogério Ceni para o Cruzeiro. Para Galvão, apesar de desejar “boa sorte” ao treinador, contratos devem ser cumpridos.

 

– A minha opinião: acho que ele deveria ter cumprido o contrato até o final com o Fortaleza. Por que a gente critica de forma tão dura quando clubes rompem com o treinador? Não acho que um técnico importante deva romper o contrato, mesmo que haja comum acordo. Defendo até a morte que os clubes têm de cumprir com o treinador.

 

– Desejo toda a sorte do mundo ao Rogério. Mas contrato é feito para ser cumprido. Tenho 45 anos de profissão e cumpri todos os meus contratos.

 

 

Rogério Ceni, técnico do Fortaleza — Foto: Camila LimaRogério Ceni, técnico do Fortaleza — Foto: Camila Lima

Rogério Ceni, técnico do Fortaleza — Foto: Camila Lima

 

Galvão estendeu a discussão a todos os convidados, mas destacou que queria ouvir Caio Ribeiro e Muricy Ramalho, ex-companheiro e ex-treinador de Rogério respectivamente. Com longa explanação, Caio disse entender Ceni.

 

– Se for discutir conceitualmente, não tem que haver demissão, tem que cumprir contrato até o final, mas não acho que o Rogério tenha de mudar isso. Essa coisa é com a CBF. Acho que só deveria ter uma troca no campeonato.

 

– Dito isso, o que acontece com Rogério e Fortaleza? O presidente o tratou como o maior técnico do Fortaleza. Não só conquistou títulos do Campeonato Cearense e da Copa do Nordeste, mas reestruturou o departamento de futebol do Fortaleza. A forma como você sai diz muito sobre a relação, e ele sai só com palavras de carinho de quem queria que ele continuasse.

 

– Acho que chegou uma hora que o Rogério falou ao presidente que estava perdendo os jogadores na Copa América, não sei se é isso. Talvez nem o Rogério admita amanhã. Pensou: “cara, agora é o Cruzeiro”. Agora é uma situação que vou dar o salto na carreira e não vamos crescer mais aqui com o Fortaleza”. Acredito que o presidente do Fortaleza disse: “Vai ser feliz, você já fez muito pela gente”. Não acho errado o Rogério aceitar, principalmente porque o Rogério não tem o que perder – opinou Caio.

 

Muricy Ramalho disse que tinha ficado feliz quando Rogério Ceni recusou proposta do Atlético-MG na primeira parte do Brasileiro, quando preferiu seguir no Fortaleza. Afirmou que, enquanto treinador, sempre pautou sua carreira com continuidade e cumprimento de contratos, mas fez uma ressalva. Disse desconhecer as razões que motivaram a tomada de decisão do ex-goleiro.

 

– Não quero ser exemplo, mas quando ele não veio para o Atlético fiquei feliz, não pelo Atlético, mas porque tomou a decisão de continuidade. Ele quer ser um técnico de ir para lá e para cá? Eu escolhi outro caminho. Tive outras oportunidades para mudar e não fui nem para a seleção brasileira.

 

 
– Escolhi esse caminho. Todos queriam me contratar, porque sabiam que eu ia entregar e ficar lá. A gente reclama muito de continuidade de trabalho. Critica sempre que não tem continuidade. Mas, dentro do clube, tem muita coisa que a gente não sabe. A gente não sabe como está a relação. Às vezes falam que foi tudo bem na saída e não foi nada disso.

Muricy destacou que Rogério é fascinado por desafios e recordes desde a época de jogador. Por isso, acredita na escolha do ex-goleiro pelo Cruzeiro.

 

– Rogério sabe que o passo que está dando é importante, vai pegar uma pedreira. Estava num clube que ele tinha tudo nas mãos, ele mexeu com estrutura, contratações e fez um outro Fortaleza. Rogério foi feito para desafios. Não deixava ninguém jogar, até machucado jogava. Vivia para recordes. A gente não sabe 10% do que acontece nos clubes.

 

– Está indo para um clube que tem estrutura fortíssima. Ele não veio para o Atlético, achei legal. Estava seguindo um trabalho. No fim do ano, vão ter muitos times atrás do Rogério. Você via um time treinado no Fortaleza. Essas mudanças não sei se são boas para ele.

 

Outros convidados, Lédio Carmona e Marco Antônio Rodrigues, o Bodão, deram razão a Galvão Bueno. Maurício Saraiva e Bob Faria, contextualizando a situação, compreenderam Rogério Ceni. O técnico do Atlético-MG, Rodrigo Santana, afirmou que Ceni é homem de cumprir contratos, mas, a exemplo do levantado por Muricy, não sabe as razões que definiram a saída do treinador.

 

Confira as declarações:

– Eu gostaria que ele cumprisse até o fim. Tinha tudo para terminar uma trajetória vitoriosa e escolheria time no início do ano. Teria umas sete propostas – disse Lédio.

 

– Fortaleza é mais candidato a rebaixamento do que Cruzeiro durante o ano, estamos discutindo a qualidade do trabalho do futebol brasileiro. Ele tem todo direito, não discutimos decisões. É bom para o futebol brasileiro essa troca de treinadores? Não é – corroborou Bodão.

 

– Por princípio, eu tô com você e o Lédio, mas é algo muito pontual. Digo que o Rogério não sai brigado de lá porque o presidente fez uma nota de agradecimento. Não tem ruptura nem traição. Há uma condição profissional que o Fortaleza compreende – afirmou Maurício Saraiva.

 

– O Mano Menezes fez acordo de solução com o Cruzeiro. Houve um comum acordo. O que a gente precisa perguntar ao Rogério é: foi um comum acordo com o Fortaleza? Quais as condições que o Fortaleza ficou de te oferecer e não ofereceu para você sair. Continua sendo ídolo e se transfere para o Cruzeiro com a maior tranquilidade. Acho que não houve uma dissolução unilateral – endossou Bob Faria

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