13/11/2019 18h00 - Atualizado em 13/11/2019 14h50

Não é birra! Desobediência e agressividade excessiva são sinais do Transtorno Opositivo-Desafiador

Esse padrão de comportamento negativo atinge crianças entre 5 e 12 anos

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Ainda que os pais lutem contra ela, a famosa birra dos filhos pode surgir a qualquer momento em casa, no supermercado ou em outro lugar onde recebam “não” como resposta. “Essa é uma forma de manifestação imatura que a criança tem diante das situações em que é contrariada”, explica o neurologista infantil Clay Brites. “Afinal, como ela ainda é nova e não sabe convencer o adulto a fazer o que quer, acaba fazendo birra”.

 

De maneira geral, basta os pais não realizarem a vontade do pequeno diante de uma atitude de pirraça para que ele entenda que sua conduta está errada e mude de comportamento entre os três e cinco anos de idade. No entanto, se essa fase passar e a agressividade, oposição e resistência à disciplina continuarem, a situação não deve mais ser tratada como teimosia, mas como um possível quadro de Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD).

 

“No caso do meu filho, por exemplo, as atitudes foram ficando piores depois que ele completou cinco anos, porque usava empurrões, beliscões e ficava fora de controle”, relata a carioca Emanoele Freitas. Mãe do pequeno Eros Micael, ela não conseguia evitar as crises do garoto e ficava envergonhada quando o menino agia assim diante de outras pessoas. “Todos ficavam me olhando e teve até uma situação dentro do metrô em que tive que sair do coletivo triste e chorando porque não pude controlar meu filho”.

 

De acordo com o neurologista Brites, situações como a descrita pela moradora do Rio de Janeiro são comuns em casos de TOD, porque crianças com o transtorno discutem por qualquer coisa, não assumem seus erros e se revoltam de forma agressiva com quem a contrarie.

 

“Elas têm dificuldade extrema para lidar com comandos e não se submetem a regras pré-estabelecidas por alguma autoridade”. Além disso, é comum “descontarem” sua raiva arremessando objetos, agredindo a si mesmas ou quebrando algo. “Lembrando que esse transtorno sempre começa dentro de casa, e depois pode se manifestar na escola”.

 

“Elas têm dificuldade extrema para lidar com comandos e não se submetem a regras pré-estabelecidas por alguma autoridade”

 

Assim, enquanto a criança enfrenta os pais no ambiente familiar, seus professores também terão dificuldade para lidar com ela ao perceberem que fica brava com facilidade, se isola e nega realizar atividades quando está irada. “O estudante ainda pode ter atitudes altamente desafiadoras e realizar ações de vingança”, afirma Brites, que aponta o posicionamento dos pais em casa como principal causa do problema.

 

Segundo o especialista, ainda que alguns quadros do transtorno estejam associados ao perfil de personalidade do indivíduo, a maioria “reflete aspectos negligentes, permissivos ou extremamente autoritários de sua família”. Então, pai e mãe precisam mudar sua maneira de agir com a criança para ajudá-la a lidar com a agressividade e aprender a obedecer regras.

 

No caso de Emanoele, a alteração de postura para lidar com o filho dentro e fora de casa fez com que o menino aprendesse a se controlar e a escutasse. “Hoje ele tem 15 anos e já melhorou 70%”, comemora a mãe, que incentiva outros pais a buscarem conhecimento a respeito do Transtorno Opositivo-Desafiador e agirem o quanto antes para ajudar seus filhos. Em seu livro “Crianças Desafiadoras”, o neurologista Clay Brites apresenta diversas orientações para essa tarefa. Conheça sete delas:

 

1. Tenha um discurso firme

Os pais devem “falar a mesma língua” em casa, solicitando o cumprimento das regras sem alterá-las. Além disso, precisam ser firmes, olhar nos olhos da criança e falar de maneira objetiva. “Nada de ficar negociando com o filho ou dando desculpas para que ele cumpra determinada exigência. Assim, ele entenderá que está abaixo da autoridade paterna e materna”, orienta Brites.

 

2. Estabeleça regras claras

Todas as regras – como escovar os dentes após as refeições, arrumar o quarto, ter horário para ver TV e sempre dizer ‘bom dia’ e ‘por favor’ – devem ser explicadas com clareza e repetidas com frequência à criança. Também é importante ressaltar que os pais devem dar o exemplo e, se uma regra for diferente para adultos e crianças, isso deve ser explicado.

 

3. Não faça o que a criança quer

Os filhos precisam aprender que nem sempre as coisas vão acontecer da forma que desejam. Por isso, diga “não” à criança sempre que for necessário e a ensine a ter paciência. Brincadeiras simples como “estátua” e “morto-vivo” podem ajudar nesse aprendizado.

 

4. Espere seu filho se acalmar antes de discipliná-lo

Brigar com o pequeno enquanto ele está se jogando no chão, chorando ou sendo agressivo não vai adiantar. Por isso, deixe passar a raiva e, então, converse com ele a respeito do que ocorreu. Nesse momento, peça que ele obedeça o que foi pedido e que respeite a autoridade de quem deu o comando.

 

5. Trate seu filho com carinho

A criança precisa sentir que é amada. Então, é necessário estabelecer limites e disciplinar seu filho de forma afetiva e carinhosa, entendendo as frustrações dele e o ajudando a lidar com sentimentos. A melhor maneira de obter sucesso nesse sentido é estar presente na vida da criança e se colocar no lugar dela, mas sem perder a autoridade.

 

6. Procure orientação médica

Se a criança for muito agressiva e a mudança de postura em casa não for suficiente para corrigi-la, procure um especialista para verificar a necessidade de medicamentos e avaliar se, além do Transtorno Opositivo-Desafiador, ela também apresenta outro problema associado. Os mais comuns são  Transtorno de Déficit de Atenção (TDH), autismo e bipolaridade.

 

7. Melhore sua autoestima

Muitos pais são julgados pela família devido às atitudes de seus filhos, se sentem mal com isso e chegam a acreditar que nunca conseguirão controlar a criança. Por isso, parentes e amigos devem ajudá-los no lugar de criticar, evitar julgamentos e ainda orientá-los a buscar apoio especializado.

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