19/05/2017 09h05 - Atualizado em 19/05/2017 08h08

‘Marcianos’ da NASA têm dias de 24h40 e linguagem própria

É difícil para o corpo se acostumar a duas perspectivas de tempo

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Um grupo de engenheiros espaciais da NASA já até ganhou o título de “marcianos” em Los Angeles. Eles não só passam o dia trabalhando em Marte, como adequam toda a rotina ao “fuso” do planeta, usam um relógio especial e até criaram uma linguagem para se referir aos dias de Marte.

A logística de trabalhar em outro planeta não seria tão complicada, caso a duração do dia em Marte fosse de 24 horas. Mas de acordo com a engenheira espacial Nagin Cox, o dia em Marte tem 24h40, o que siginifica que o grupo de engenheiros tem que adicionar 40 minutos ao final de cada dia. “Mudamos de fuso horário diariamente”, disse a engenheira em uma apresentação organizada pela TEDx.

 

Nagin e os demais profissionais que controlam os veículos exploradores em Marte -“os olhos e ouvidos” que os Estados Unidos têm no planeta – passam os dias em uma sala do Jet Propulsion Laboratory, em Los Angeles. Segundo a engenheira espacial, as janelas são cobertas quando é noite em Marte, para evitar confusões.

 

A mudança diária de horário faz com que jornadas terminem no meio da madrugada e o grupo explore restaurantes e as ruas de Los Angeles enquanto os “terráqueos” estão dormindo. E as famílias não ficam de fora. Segundo Nagin, alguns engenheiros vão à praia com os filhos e fazem piquenique tarde da noite. “Acabam seguindo o horário de Marte também”, contou Nagin.

 

Durante o dia (horário de Marte), os engenheiros trabalham na exploração do planeta e estudam as condições para levar o primeiro grupo de humanos para lá. Nagin trabalha na escala noturna, seguindo o fuso marciano, na programação dos robôs e próximas missões. “Quando você muda de horário todos os dias, começa a se sentir separado das demais pessoas”, disse Nagin.

 

Os engenheiros criaram até uma nova língua para acabar com mal-entendidos nas operações. Sol, significa o “dia” de Marte, com duração de 24h40. Ao invés de “today” (hoje), no Jet Propulsion Laboratory diz-se “tosol”; eles trocam também “yesterday” (ontem) por “yestersol”; e “tomorrow”(amanhã) por “nextersol” ou “solorrow”.

 

Nagin explicou que é difícil para o corpo se acostumar a duas perspectivas de tempo e que muitos profissionais enfrentam distúrbios de sono. Os engenheiros já são objeto de pesquisa, contou ela. “Estamos aprendendo a viver em mais de um país, a nos tornar multiplanetários”, concluiu Nagin. Os engenheiros têm expectativa de enviar o primeiro grupo de pessoas a Marte nas próximas décadas.

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