19/11/2019 10h55 - Atualizado em 19/11/2019 09h53

Jejum de dopamina é a última moda do Vale do Silício, mas funciona?

Dopamina faz parte do aprendizado e memória

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Na era da Economia da Atenção, em que seus minutos e horas de atenção valem dinheiro nas redes sociais e aplicativos, algumas pessoas estão praticando o chamado “jejum de dopamina”.

 

O professor de psiquiatria da Universidade da Califórnia em São Francisco (EUA), Cameron Sepah, popularizou esse tipo de jejum ao publicar um guia no último mês de agosto orientando a prática: “fazer uma pausa de comportamentos que engatilham a liberação de grandes quantidades de dopamina (especialmente de forma repetida) permite ao nosso cérebro se recuperar”.

 

Sepah acredita que sem intervalos, ficamos habituados com as grandes quantidades da substância e procuramos exaustivamente por estímulos cada vez maiores para manter este nível alto.

 

A recomendação do professor é que você passe de uma a quatro horas por dia longe de algum comportamento específico que seja problemático para você, seja isso jogar games, apostar, ou ficar nas redes sociais.

 

Durante este tempo, você deve procurar interações cara-a-cara, conectando-se com outras pessoas. Veja as recomendações do jejum de dopamina segundo Sepah:

 

  • passe de 1-4 horas no final do dia longe do comportamento problemático;
  • passe o seu dia de folga semanal ao ar livre;
  • viaje em um final de semana por bimestre para um local próximo da sua casa;
  • viaje uma semana por ano.

 

Nada disso parece muito chocante e é o que a muitas pessoas já fazem ou gostariam de fazer.

 

Extremistas

O problema é quando algumas pessoas leem ou escutam o termo “jejum de dopamina” e acreditam que a solução é tentar cortar todas as fontes de prazer de sua rotina, evitando alimentos prazerosos, assistir a filmes ou séries e até o contato visual com outras pessoas.

 

Isso tem acontecido em alguns casos pontuais no Vale do Silicone, em que algumas pessoas interrompem conversas animadas para não se sentirem muito estimuladas e evitam até passar por ruas movimentadas por causa da agitação.

 

Dopamina faz parte do aprendizado e memória

A dopamina está envolvida em um processo complexo de aprendizado, memória e motivação por recompensa. Em situações saudáveis, é um sinal do cérebro que você está no caminho certo, e a dopamina é um incentivo para que você repita aquilo que você acabou de fazer.

 

A liberação de dopamina não está nas nossas mãos, portanto é possível questionar se realmente existe um “jejum de dopamina”.

 

Apesar do nome que pode gerar confusão, a proposta de Sepah não é reduzir a dopamina em si, e sim reduzir um comportamento impulsivo por períodos prolongados.

 

Um exemplo disso seria resistir ao impulso de olhar o celular imediatamente ao receber uma notificação. Outro exemplo seria não correr para as redes sociais em busca de um alívio para qualquer desconforto leve na vida real.

 

Como mudar um comportamento problemático

Já o neurocientista e psiquiatra Judson Brewer, da Universidade Brown (EUA), especialista em vícios, diz que evitar algo que você gosta de fazer apenas por um dia na semana não vai resolver o problema. “Isso apenas te priva de algo que você gosta. Mas por que você ainda gosta disso, você vai continuar voltando para isso”, diz ele em entrevista à Vox.

 

A recomendação de Brewer é ensinar para o cérebro que determinada atividade não é tão prazerosa assim. Mas como fazer isso? O primeiro passo é perceber que um comportamento te deixa com uma sensação ruim.

 

Assim, você não precisa se obrigar a se abster da atividade, o distanciamento da atividade acaba sendo um resultado natural desse desgosto. Para perceber que um hábito não está legal, Brewer recomenda o mindfulness, a atenção no aqui e no agora. [Vox]

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