12/06/2018 16h02 - Atualizado em 12/06/2018 16h04

Excesso de peso pode prejudicar a fertilidade em homens e mulheres

As mulheres com sobrepeso têm um risco maior de sofrer um aborto espontâneo

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A gordura sempre esteve associada a vários problemas de saúde, tanto físicos quanto mentais (ou emocionais), e também está associada a diferentes problemas de fertilidade, tanto na mulher quanto no homem.

 

Por isso, embora muitos possam não gostar deste conselho, perder peso antes de engravidar é uma boa dica, e não apenas para as mulheres! Muitos estudos sobre a fertilidade e a composição corporal se concentraram na parte feminina do casal, mas poucos sabem que o peso masculino também é importante.

 

Se vocês querem um bebê, é importante cuidar da dieta e eliminar os quilos extras. (Foto: Getty)
 

A probabilidade de infertilidade é entre 5 e 30% mais alta em mulheres com sobrepeso, e pode chegar a 100%, em casos de obesidade mórbida.

 

Além disso, caso a gravidez ocorra, as mulheres com sobrepeso ou obesidade sofrem um risco maior de aborto espontâneo e de diferentes complicações na gestação, como hipertensão (pré-eclâmpsia e eclâmpsia) e diabetes gestacional.

 

Nos homens, a produção de hormônios masculinos costuma ser menor nos testículos de homens obesos, o que pode causar uma disfunção erétil. Embora as técnicas atuais de reprodução assistida, em especial a fecundação por injeção intra-citoplasmática de espermatozoides (ICSI), possam resolver este problema, há anomalias relacionadas ao excesso de peso que são mais difíceis de solucionar, como o dano (fragmentação) do DNA dos espermatozoides.

 

Se a probabilidade de concepção natural é baixa, é importante determinar a técnica mais adequada de reprodução assistida, levando em conta fatores como a idade e a saúde reprodutiva do casal.

 

Sobrepeso e ovários policísticos

Em muitas mulheres com sobrepeso e obesidade, a causa de infertilidade está relacionada a diferentes graus da síndrome do ovário policístico (SOP), uma doença endócrina complexa e heterogênea que se caracteriza por transtornos no ciclo menstrual, falhas na ovulação e hiperandrogenismo. A SOP pode vir acompanhada de uma resistência à insulina, um fator de desenvolvimento da diabetes mellitus tipo 2.

 

Segundo um estudo liderado pelo Dr. Jan Tesarik e publicado recentemente na revista norte-americana Journal of Gynecology and Women´s Health, realizado por um grupo de pesquisadores da Universidade de Granada e pela Clínica MARGen, da mesma cidade espanhola, a causa primária de alguns casos de SOP parece ser uma coordenação defeituosa de reações hormonais no hipotálamo, na glândula pituitária e nos ovários.

 

A ideia de que uma mulher grávida deve comer por dois não é correta. O importante é comer alimentos saudáveis (muitas verduras e frutas, proteínas magras, gorduras saudáveis e grãos integrais) em pequenas porções e com frequência. (Foto: Getty)
 

No entanto, segundo o especialista, “inclusive nestes casos, a resistência à insulina aparece com frequência e contribui para a gravidade da doença com a produção exagerada de hormônios masculinos, o ganho de peso e o desenvolvimento de uma obesidade ‘masculina’, com depósitos de gordura na região do abdômen. Nestes casos é necessário utilizar medicamentos de hiperinsulinismo e hiperandrogenismo para conseguir ótimos resultados a partir as mudanças de estilo de vida, como dieta e atividade física, para reduzir o excesso de peso”.

 

Outras doenças endócrinas, como o hipotireoidismo (insuficiência dos hormônios tiroxina e triiodotironina da glândula tireoide) e a síndrome de Cushing (aumento do hormônio cortisol das glândulas suprarrenais), também podem causar sobrepeso e obesidade. Também pode haver uma influência de certos medicamentos, como alguns antidepressivos, ansiolíticos, corticoides ou medicamentos para a hipertensão.

 

“Se a simples redução do peso não for suficiente para conseguir uma gravidez natural e for necessário fazer uso de recursos de reprodução assistida, todos estes fatores devem ser levados em conta para elaborar um protocolo adaptado à condição de cada paciente, com o objetivo de alcançar o melhor resultado,” esclarece o especialista.

 

No caso dos homens com sobrepeso e obesidade, a qualidade dos espermatozoides costuma melhorar depois do emagrecimento, “mas seria ilusório confiar demais numa recuperação completa”.

 

Segundo um artigo científico, publicado na revista Translational Andrology and Urology, a qualidade dos espermatozoides, e especificamente de seu DNA, deve ser avaliada em cada caso. De acordo com os resultados, os especialistas irão definir se o paciente pode ter filhos de forma natural, com ou sem um tratamento.

 

Identificar a cadeia de causa e efeito

O sobrepeso e a obesidade são condições multifatoriais. A predisposição pode ser genética em alguns casos, mas nem sempre é a causa determinante. Também podem influenciar fatores socioeconômicos, psicológicos, sedentarismo, hábitos alimentares pouco saudáveis, estilo de vida da família, má qualidade do sono, idade ou gestação prévia. No entanto, existem diferentes desequilíbrios hormonais que podem ser a causa primária do excesso de peso, ou um agravante.

 

O excesso de peso é determinado a partir do índice de massa corporal (IMC), calculado dividindo os quilos de peso pelo quadrado da altura em metros. Por exemplo, o IMC de uma pessoa que pesa 75kg e mede 1,75 metro é 75 dividido por 1,752, ou seja, 24,5.

 

De acordo com os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), o limite superior do peso considerado normal é um IMC < 25. A condição de pessoas com IMC igual ou superior a 25, mas inferior a 30, é definida como sobrepeso. Passamos a nos referir à obesidade quando o IMC é igual ou superior a 30. Nas mulheres, a probabilidade de ser infértil aumenta 5% para cada ponto do IMC acima do patamar de 25.

 

Mónica De Haro

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