23/10/2019 09h55 - Atualizado em 23/10/2019 08h28

Advogada atende mães de crianças com microcefalia gratuitamente

Ela procura profissionais de outras áreas que também possam colaborar

PUBLICIDADE
Portal Sempre Família

Portal Sempre Família

PUBLICIDADE
Delta Ativa

Acostumada a doar alimentos, roupas e fraldas para famílias de baixa renda de Teresina, no Piauí, a advogada Maria Claudia Almendra decidiu fazer mais. “Percebi que essas pessoas também precisavam de informação, então separei um dia por mês para oferecer assistência jurídica gratuitamente”, relata a profissional, que escolheu como público alvo do projeto mulheres que tiveram filhos com microcefalia após o surto de Zika vírus em 2015. “Ouvimos muito a respeito delas na época, mas o tempo passou e foram completamente esquecidas”, lamenta.

 

Por isso, Maria Claudia visitou uma das instituições da cidade que oferece atividades gratuitas para o desenvolvimento dessas crianças e conversou com as mães para saber quais dificuldades elas enfrentavam. “Muitas foram abandonadas pelo marido após o nascimento do bebê, não recebem pensão alimentícia e a maioria não conseguiu o benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)”.

 

Foto: Arquivo pessoal/Maria Claudia Almendra
A primeira reunião com as mães ocorreu em setembro. Foto: Arquivo pessoal/Maria Claudia Almendra

Esse benefício é garantido pela legislação brasileira às crianças com microcefalia, mas pode ser retirado se a família ultrapassar o limite de renda mensal estabelecido por essa lei – um quarto do salário mínimo para cada pessoa da casa. “Só que em setembro uma medida provisória garantiu pensão vitalícia às crianças que nasceram entre 2015 e 2018, e muitas mães não estão sabendo disso”, afirmou.

 

A piauiense Cileia Ribeiro dos Santos, de 36 anos, estava entre elas. Mãe do pequeno Heryson Yula, que nasceu com a malformação congênita em 2016, ela não recebeu a pensão prometida pelo Governo porque estava empregada na época e o valor recebido superava o teto previsto pela legislação. “Mas perdi meu emprego e estou esperando analisarem meu caso”, conta a mãe, que nunca ouviu uma palavra do filho e não sabe que outros prejuízos cognitivos ele apresentará. “Tem coisas que só vou descobrir quando o Heryson for à escola”.

 

Foto: Arquivo pessoal/Cileia Ribeiro dos Santos
Cileia com o filho Heryson. Foto: Arquivo pessoal/Cileia Ribeiro dos Santos

Até lá, Cileia espera melhorar a qualidade de vida do garoto e conta com a ajuda da Maria Claudia para conseguir. “Ela já me tranquilizou falando da nova lei e acrescentou muito”, afirmou ao elogiar o trabalho da voluntária. “Isso que ela faz é bem importante porque temos pouco acesso a informação”.

 

E foi pensando nisso que – além de oferecer assessoria jurídica – a profissional também decidiu realizar palestras a respeito da importância da família no cuidado das crianças e do direito que elas têm à visita dos pais. “Muitas mães têm mágoa dos ex-maridos que as abandonaram, então também falo dos problemas que a alienação parental pode trazer”, explica a especialista em direito familiar.

 

Mas ela garante que todas essas mães atendidas por instituições como o Centro Dia de Microcefalia, em Teresina, precisam de mais ajuda. “E é por isso que estou à procura de outros profissionais como médicos, contadores e dentistas que também queiram participar do projeto”. Para colaborar, basta entrar em contato com a advogada pelo Instagram e separar um dia do mês para visitar o local. Afinal, “ver o que essas crianças passam é de doer o coração”, avisa.

PUBLICIDADE